Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Para a Ritta

Ritta

Li o seu Post e começo desde já por lhe pedir que não TENHA PENA DO PEQUENO TOMAZ, como diz. O pequeno/GRANDE Tomaz não precisa que tenham PENA dele, mas sim que o ajudem a construir um futuro em que as mágoas não sejam apresentadas em forma de cicatrizes emocionais ou até físicas.

A palavra PENA só a reconheço quando se fala de um utensílio que os nossos avós usavam para escrever, molhando o seu aparo na tinta.

Cara Ritta, não consigo através do seu texto perceber a sua idade, mas creio que estará numa faixa etária bastante jovem…no entanto percebo, que como diz terá ficado marcada com o facto de ser filha de pais separados.

Sinto nas suas palavras alguma mágoa, e possivelmente muita dor, mas olhe que eu, o Pai Tomaz também sou filho de pais separados desde os meus 3 anos de idade e ainda hoje, pode crer guardo algumas imagens desses tempos, acredite que é verdade.

Comecei a trabalhar aos 10 anos como aprendiz de Dourador, e aos 14, já auto-suficiente e por iniciativa própria comecei a estudar á noite na então Escola Industrial Machado de Castro, em Lisboa. (Nunca na vida se é totalmente auto-suficiente)

Quanto ao assunto principal que aqui nos traz, que é a defesa do Tomaz, digo-lhe que como já vivi por experiência própria a amargura de nunca ter tido em toda a minha vida a possibilidade de pelo menos na noite de Natal ter os meus Pais reunidos, e também de não me lembrar nunca de um afecto, um carinho, um puxar o cobertor para me tapar melhor quando ia dormir, ou até mesmo de um passar a mão pela minha cabeça com sentimento de ternura.

Nunca me faltou nada, é verdade…mas faltou-me o principal…afecto.

Por estes motivos, pergunto-lhe, acha que estou a agir num acto de vingança, só porque eu passei o que passei e o meu filho também tem que passar?. Não Ritta!... Eu nem de longe quero que o Tomaz passe ou tenha uma sombra perto dele que o possa prejudicar na sua formação intelectual e logo como pessoa.

Quanto ao facto de por em dúvida que o que está escrito no blog seja ou não verdade, está em si acreditar ou não, mas se não acredita, porquê dar-se ao trabalho de ter PENA, de escrever o seu post, e até de duvidar do que outras pessoas ai escreveram dando apoios, ou mesmo criticando o conteúdo?

Diz que no blog só se sabe o que uma parte escreve e não se sabe a versão da outra parte!... Ritta, você escreveu livremente, a outra parte tem a mesma possibilidade de o fazer, mas até agora a única coisa que fez foi tirar cópias dos posts publicados e apresenta-los ao Tribunal, onde diz no seu requerimento que está escrito no blog, por mim, que a Juiz está comprada. Felizmente que qualquer pessoa de bem ao ler tudo o que está no blog percebe que nada do que foi denunciado está escrito, talvez por isso a Digníssima Magistrada tenha despachado a denúncia com “nada a requerer”.

Pode crer que o grande adulto…o grande herói será sempre o Tomaz, mas infelizmente a justiça em Portugal não funciona, estamos á 100 Dias, esperando por relatórios sociais que ainda não chegaram ao Tribunal, e que sabemos já estarem concluídos, e que eu daqui a alguns dias aqui explicarei porquê e porque motivos não foram enviados ao Tribunal, de momento não é possível fazê-lo para não ser mais um grão de areia na engrenagem.

Só para esclarecimento, não fui eu, Pai Tomaz, nem os irmãos que fomos ao Tribunal traiçoeiramente dar inicio a um Processo de Regulação do Poder Paternal, quando ainda vivíamos todos em “família”…foi a outra parte.

Obrigado Ritta

Pai Tomaz

1 comentários:

Ritta disse...

Não quis com o meu comentário atacar ninguém e muito menos o senhor!Apenas quis transmitir todo o meu apoio ao Tomás, sem querer tomar algum lado da história, porque, muito sinceramente, isso não me interessa! Interessa-me sim a felicidade do pequeno Tomás. Se é consigo ou com a mãe ou com os irmãos, isso saberão vocês, porque não pretendo meter-me no meio desta situação. Quando disse a palavra "pena" já sabia que iria ser assim interpretada, mas há falta de melhor palavra na altura, foi a que me ocorreu. Era para ter escrito "penas têm as galinhas". Talvez a palavra certa fosse "tristeza" por saber que uma criança tem de passar por uma situação destas. Não defendo nem critico ninguém. Não o quero e com o meu comentário apenas tentei dar toda a força que me é possível ao pequeno Tomás e tentar ser o mais imparcial possível. Nã interprete por favor o meu comentário como um ataque, pois não foi de todo essa a minha intenção.
Tenho 24 anos e os meus pais separaram-se ao meus 3 anos também. Terago a dor de não me lembrar de um natal com a família completa ou da humilhação que as outras crianças me faziam passar quando dizia que os meus pais não viviam juntos, entre outras coisas, mas os meus pais sempre se deram bem e nunca houve problemas com o tempo que eu passava com um ou outro, porque sempre fui livre de estar com quem queria naquela altura. E não, não acho que esteja a agir por vingança. Acho que tráz consigo toda a dor de ver um filho sofrer e de se sentir impotente com isso e, apesar de não ter filhos, SEI que NUNCA queremos que os nossos filhos passem por algo semelhante ao que nós passámos. E esta talvez tenha sido uma maneira de diminuir um pouco, uma infima parte, do seu sofrimento. E escrevi pelo pequeno Tomás, não por si, não pelos irmãos dele ou pela mãe, apenas por ele, para demonstrar o meu apoio.
E se interpretou o meu comentário como uma crítica a quem apoia ou a si ou à Kooka, peço perdão, porque não foi DE TODO essa a minha intenção!
Desejo toda a sorte do mundo ao Tomás e espero do fundo do coração que esta situação se resolva o mais rapidamente possível e para o melhor!

Bjo

Ritta